A Chuva

Vivendo aprendi que algumas pessoas ficam mais marcadas pelas impressões da primeira infância. Hoje, aos 49, certas coisas que vi e senti entre os 3 e 7 anos permanecem ardendo na minha pessoa lá onde Freud perdeu as botas e a vergonha na cara. São fatos que pegam carona na realidade e se transformam conforme a psique infantil: os sonhos com soldados do Vietnã escalando as paredes do meu prédio, a vibração de 68 tomando proporções aterrorizantes de contos de fadas, os clarins, “cachorros mortos nas ruas, policiais vigiando o sol batendo nas frutas, sangrando”, as passeatas, o sexo perigoso das moças namoradas, o perigo, aliás, rondando em cada esquina, e sua cor irresistível de curiosidade. E a chuva, esta mesma que ora cai intermitente.

 

2 Respostas para “A Chuva”


  1. 1 Fransueldes 20/10/2011 às 14:42

    Você tem 49!? Parece, não! Escreve com a força e o destemor de 29 e a maturidade de 39. Mas o que são números? Prefiro letras.

  2. 2 Neuza Paranhos 20/10/2011 às 20:35

    Obrigada, Fran, minha pessoa se envaidece! :-)


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