Vivendo aprendi que algumas pessoas ficam mais marcadas pelas impressões da primeira infância. Hoje, aos 49, certas coisas que vi e senti entre os 3 e 7 anos permanecem ardendo na minha pessoa lá onde Freud perdeu as botas e a vergonha na cara. São fatos que pegam carona na realidade e se transformam conforme a psique infantil: os sonhos com soldados do Vietnã escalando as paredes do meu prédio, a vibração de 68 tomando proporções aterrorizantes de contos de fadas, os clarins, “cachorros mortos nas ruas, policiais vigiando o sol batendo nas frutas, sangrando”, as passeatas, o sexo perigoso das moças namoradas, o perigo, aliás, rondando em cada esquina, e sua cor irresistível de curiosidade. E a chuva, esta mesma que ora cai intermitente.
Você tem 49!? Parece, não! Escreve com a força e o destemor de 29 e a maturidade de 39. Mas o que são números? Prefiro letras.
Obrigada, Fran, minha pessoa se envaidece!